Num mundo onde os produtos são perecíveis e os
desejos são fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio
de sobrevivência. É a chave para a resiliência
e também para o sucesso, tanto na área pessoal
quanto na profissional.
É fato: não dá para crescer na rigidez.
O crescimento, por si só, é maleável, moldável
e adaptável às novas medidas e às novas
formas. Sendo assim, gentil – no sentido mais amplo e profundo
da questão – é quem aprende a metamorfosear.
Basta observar! No universo corporativo, a preferência é cada
vez maior por profissionais capazes não de aceitar as
diferenças inerentes a uma equipe ou um departamento,
mas – acima de tudo – de celebrar essas diferenças.
Ou seja, de transformá-las em molas propulsoras para a
criatividade e para os resultados diferenciados.
Assim como já não basta evitar os conflitos. É preciso
enxergar neles uma oportunidade de promover mudanças significativas
e de se tornar melhor justamente por causa dessas adversidades.
Entretanto, quanto mais estudo e pesquiso sobre
a Inteligência
Afetiva, mais constato como a falta de flexibilidade tem aumentado,
o que me levou a debruçar justamente sobre a conseqüência
desastrosa desta situação: a profunda falta de
gentileza nas relações e na comunicação
interpessoal.
As evidências estão aí! Basta ouvir o noticiário
ou observar atentamente a dinâmica de nossas próprias
relações, dentro e fora de casa. Porém,
temos vivido no “piloto automático” e iludidos
com a idéia de que a mudança precisa começar
no outro, seja no Congresso Nacional ou sala da Diretoria da
empresa onde trabalhamos.
Temos ignorado solenemente o fato de que se já fôssemos
suficientemente gentis – como muitas vezes nos julgamos – já teríamos
acordado para a maior de todas as verdades: pessoas gentis são
flexíveis e, portanto, inteligentes e poderosas!
Para se ter uma idéia da abrangência desse poder,
já existe um Movimento Mundial pela melhoria das relações
interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza.
Trata-se do World Kindness Movement – cujo representante
oficial do Brasil é a Associação Brasileira
de Qualidade de Vida (ABQV).
O intuito do movimento é declarar que pessoas gentis
são mais valorizadas no mercado profissional, já que
a qualidade das relações, a integração
entre os funcionários e as atitudes de gentileza são
fatores que influenciam nos resultados finais e no aumento da
produtividade da empresa.
A gentileza, e por conseqüência a flexibilidade e
a tolerância, têm ainda influência direta sobre
nossa saúde mental, emocional e física. A falta
desses atributos na vida diária tem causado prejuízos
incalculáveis a todos. A Organização Mundial
da Saúde estima, por exemplo, que em 2020 a depressão
será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida
apenas das doenças cardiovasculares.
Qual seria a razão para tamanha insatisfação
e tristeza? Estou certa de que, em última instância,
não se trata de salário ou posição
hierárquica. Trata-se da falta de reconhecimento pelo
humano que há em cada um; da falta de qualidade na troca
entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e
de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da
inflexibilidade para com as próprias frustrações.
Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata,
pode apostar!
Num ambiente estressado, onde as pessoas estão constantemente
em conflito, a comunicação fica visivelmente comprometida
e, consequentemente, a criatividade diminui drasticamente, em
todos os sentidos.
Não estou falando apenas de uma redação
ou de uma agência de publicidade. Estou falando até de
uma fábrica ou das relações domésticas
e sociais. Todos nós produzimos muito mais e somos muito
mais criativos quando estamos emocionalmente tranqüilos
e nosso vínculo com o trabalho e as pessoas é afetuoso
e baseado no desejo de conciliar.
São essas as condições necessárias
para que a criatividade possa crescer, para que os resultados
sejam cada vez mais satisfatórios. Portanto, embora as
habilidades técnicas sejam imprescindíveis para
as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional para
que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para
ser agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso
que haja uma decisão pessoal.
As empresas podem sim motivar e incentivar seus
colaboradores para a mudança de comportamento, mas ser gentil continua
sendo uma decisão do indivíduo. Tem a ver com as
crenças e os valores que ele alimenta diariamente. Ou
seja, a gentileza é um exercício diário!
Por fim, não há nada mais verdadeiro do que o
mote do Profeta Gentileza (a história dele está no
capítulo 6 do livro): ‘Gentileza gera Gentileza’.
Do mesmo modo, podemos apostar: falta de gentileza, gera falta
de gentileza. A escolha sobre o que gerar é de cada um.
7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de Trabalho