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O
mal humorado foi cremado
Por Renato Pereira
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Sempre que alguém passa pela porta da loja é porque
um grande impulso inicial foi vencido e esta pessoa esta prestes
a ser feliz. Pode ser um pequeno objeto ou um suntuoso automóvel.
E como, na hora da conquista, a maioria de nós considera
a vitória imerecida, necessitamos do outro para concretizar
o nosso desejo. Portanto, é de se esperar que a carga de
incerteza, de dúvida, de desmerecimento, faça parte
do pensamento do comprador. O que se traduz por mau humor, muito
capaz de superar o desejo e se transformar no propulsor de uma
infelicidade do tamanho do desejo colocado no produto ou serviço
tão sonhado e responsável pela nossa decisão
de deslocamento até o local do possível prazer por
acontecer. É neste exato momento que entra em cena o salvador
da pátria, sua excelência o vendedor bem humorado.
O cara que, perguntado pelo preço, responde sobre qualquer
coisa que não envolva dor.
Pode ser desde a aplicação e qualidade do produto,
até o dia lindo que está fazendo hoje, mesmo que
esteja caindo uma chuva torrencial, dia lindo para o faturamento
dos motéis da cidade, uma vez que é sabido o poder
afrodisíaco dos pingos d´agua tilintando na janela...
nas meia águas do cinema francês da era noir.
Preço é pós venda, é compra assumida
e devidamente assimilada, independente do tamanho do carnê,
do que vem por aí no cartão de crédito,
no cheque pré datado, ou muito melhor, no dinheirinho à vista.
Etapa, aliás, que não se sabe por que, não é sugerida
com muito afinco por parte dos vendedores. O que é não
culpa deles mas do respectivo mau humor de cada um . Quando se
fala do pagamento já, o mau humor irrompe veementemente
no pensamento do vendedor e ele confunde o seu dinheirinho disponível
com o dinheiro do cliente.
Não pode haver pior erro de avaliação. É inconsciente
e destruidor da nossa possibilidade de manutenção
do emprego, uma vez que descapitalizada a loja quebra e o vendedor
vai gastar fortunas imprimindo currículos na vã esperança
de que alguma alma lojista aceite o mau humorado sem desconfiar
que esteja comprando gato por gato que não pega nem rato.
O Bom Humor é responsável por 100% das transações
de sucesso.
O que se pratica 24 horas por dia, para, diante da necessidade,
ser guiado pelo ato reflexo da felicidade do outro. Esse centrado
no próximo é que faz grandes namoros prosperarem
e casamentos se eternizarem, sem falar no êxito do empreendedor.
Imagine-se um lojista de mau humor, pensando, além dos
custos da implantação da loja, na manutenção
do estoque, dos encargos sociais, nos imposto num País
que impõe uma das maiores taxas do planeta, no condomínio,
mais a luz, a água, o telefone, o segurança, a
verba promocional e até a diária semanal da faxineira.
Não, ele nem começa a loja. Investe num crematório,
enfarta , morre e inaugura o empreendimento.
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