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Eta profissãozinha danada, sô...
Por Renato Pereira

A melhor palestra é aquela em que o que pegar no sono na platéia, ao acordar pergunta aflito ao cara ao lado :
- O que foi que ele disse ?
Considerando que palestra, via de regra, ou é muito chata ou é excepcionalmente inquietante, brilhante, criativa e instigadora do mais recôndito que existe no nosso talento enrustido para por em prática, não o que o palestrante motivou, mas o que a qualidade do nosso cérebro apreendeu.
Há momentos que o que se fala é ouvido no retardo, como um MSN vivo, enquanto os neurônios do ouvinte se organizam em fila indiana para as descobertas. E o neurônio que furar a fila, além de não descobrir coisa alguma, volta para o fim da fila. Em casos do expectador ter apenas dois neurônios, fica mais fácil : um explica para o outro.

Minha palestra motivacional, Vendendo com Bom Humor, Cobrando com Bom Humor, Negociando, Administrando com Bom Humor, reside na possibilidade real da utilização da ferramenta do bom humor na intra e inter relação pessoal maximizando os objetivos da negociação, encurtando os tempos, flexibilizando os negócios e fidelizando o interlocutor que vai querer reviver aquele momento de prazer existencial propiciado pelo outro. E como descobrir se o participante tem ou não capacidade de agilizar o bom humor que existe em todos nós ? Muito simples. Começa na portaria. O bem humorado pergunta se ainda tem lugar, o mal humorado quer saber que horas termina.

Como faço palestras nos mais diferentes pontos do País, invariavelmente lá vem a mesma pergunta :
- Professor ? Qual é o equipamento que o senhor vai utilizar ?
E eu respondo :
- Cérebros.
- O senhor traz ?
- Não. Cada um que leve o seu.

Há palestras que se fazem acompanhar de tamanha parafernália tecnológica, que ao palestrante resta tão somente a direção de tráfego com aquela varinha retrátil que é de grande utilidade. Principalmente para usar como relho quando o produtor do evento se nega a pagar o combinado ao palestrante.
Imagens e mais imagens, e músicas, canções, excluindo tão somente o Hino à Bandeira, que só os muito iniciados sabem a letra. Do Andréa Bocelli ao Xitãozinho e Xororó, sem os utilizados receberem um mísero tostão de direito autoral.

Sem citar os vídeos. Quase sempre colhidos repetidamente via Internet com aquela qualidade de deixar os piratas paraguaios candidatos ao Oscar do Filme Borrado. E letrinhas, incontáveis letrinhas, que ninguém consegue identificar à mais de dez centímetros da tela, mas que servem perfeitamente como a boa “cola” dos saudosos tempos estudantis ao palestrante que vos fala. Sendo que o auge é quando os participantes são convidados a dar as mãos para entoar alguma canção de ninar ou hit hop, com graves conseqüências para ambos os envolvidos de mãozinha : pode virar compromisso entre a moça e o rapaz da empresa, ou uma relação mais explícita entre dois rapazes executivos até então absolutamente enrustidos.

Portanto, se é que posso, a recomendação aos jovens palestrantes é que usem o mínimo de adereços e balagandãns. E aos velhos, uma redobrada atenção com a memória. Porque a Terceira Idade é exatamente quando você conta a mesma coisa pela terceira vez para a mesma pessoa.

 

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