As empresas são um reflexo da sociedade
e uma amostra da diversidade de caráter, intenções,
valores e comportamentos da vida cotidiana.
Transformemos os discursos da sociedade e das empresas em práticas
efetivas e não será necessária nenhuma outra
reforma ou revolução para atingirmos justiça
social.
Se em uma empresa 50% dos discursos forem transformados em práticas
efetivas, ela seguramente, estará em breve no rol das
melhores para se trabalhar e entre as mais produtivas e competitivas
do mercado. Tudo isso sem comprometer a qualidade de vida de
seus colaboradores!
O que nos impede de viver melhor dentro e fora das empresas é a
demagogia!
Ouvimos o discurso da inclusão, mas basta uma observação
atenta para notarmos que o número de trabalhadores com
necessidades especiais trabalhando nas empresas é exatamente
igual ao número estabelecido por lei. É óbvio
que isto não é uma coincidência, mas sim
a clara confirmação que a inclusão é puramente
demagógica.
Apenas a título de informação, uma pessoa
surda possui uma produtividade muito acima da média das
demais. Primeiro porque seu grau de concentração é incrivelmente
superior e o de distração mínimo, segundo
porque valorizam demais a oportunidade escassa de trabalho e
comprometem-se em níveis raramente vistos.
Diante do já muito preconizado discurso da meritocracia,
olhamos ao redor, e encontramos uma enorme quantidade de pessoas
nitidamente omissas e não pertinentes a seus cargos, valendo-se
do trabalho de equipes competentes que conseguem resultados apesar
da ausência de liderança.
E por falar em meritocracia, não vamos encontrar muitas
empresas onde estar acima da média de produtividade e
resultado signifique promoção e reconhecimento.
Normalmente nossa competência acaba como sentença
de perpetuação da situação atual
sob o discurso que não se encontra ninguém que
possa substituir-nos (este alguém foi demitido no downsizing).
A maioria de nós patrocina a lucratividade do negócio
com a exaustão da nossa própria energia vital.
Afinal, com o downsizing as empresas realocaram a sobrecarga
de trabalho para um número, agora menor, de colaboradores.
Basta experimentar sairmos de férias e checar o caos que
nos aguarda em nosso retorno. Neste contexto, não há política
de qualidade de vida que possa suprir tamanhos desgastes.
Temos ainda o demagógico empowerment que continua sendo
um belo discurso democrático nas mãos da “ditadura
adormecida”. O poder, de fato, teria chegado às
pontas se os feudos não o impedissem e se as “pontas” tivessem
verdadeiramente sido preparadas e apoiadas para lidar com ele.
O que dizer então da responsabilidade social?
Vemos empresas que destinam verbas para tais ações,
sem jamais, acompanhar o destino de cada real proporcionado,
sem visitar as instituições beneficiadas e colaborar
na efetiva gestão dos recursos, sem estimular o voluntariado
dando exemplos a partir dos mais altos cargos. Onde está a
responsabilidade?
O que vemos é a habilidade do Marketing Social maquiado
pela demagogia da responsabilidade social. Responsabilidade implica
atenção, dedicação e acompanhamento.
Precisamos ter a coragem de enfrentar inteligentemente este
sistema de manutenção retórico desenvolvido
pela sociedade e refletido nas empresas.
Digo inteligentemente porque não precisamos de mártires,
afinal, eles morrem sempre antes de ver seus objetivos concretizados.
Precisamos de estrategistas! Estrategistas da reforma das pessoas
e das organizações. Pessoas que saibam contribuir
sem ser excluída do sistema, sem deixar vaga uma importante
tribuna em prol da evolução da sociedade.
Vamos decretar individualmente o fim da demagogia. Faremos isso
deixando de ser coniventes com ela, colocando nossos valores
através da linguagem eloqüente do exemplo e da argumentação
baseada em fatos.
Devemos utilizar exemplos honestos e inspirados e não
discursos inflamados e contundentes, porém ingênuos.
Sabemos que a mesmice e a retórica vão resistir
e que somente com mente crítica, bom senso e UMA INCRÍVEL
HABILIDADE POLITICA INTERPESSOAL poderemos obter êxito
em nossa silenciosa revolução em favor da vida
e do ser humano.
Precisamos provar que nossos valores não são somente
idealismos utópicos e, portanto, mais um tipo de demagogia.
Vamos nos preparar para provar que o que estamos propondo não é somente
bom para as pessoas, mas veja só: é bom para o
negócio!
E se é bom para as pessoas e para os negócios, é bom
para o país e isto não é demagogia, é apenas
o fruto de uma lógica simples que qualquer aluno de matemática
do ensino médio pode compreender: